Esqueci da faculdade
Hoje é Páscoa e, há dois dias eu descobri que tenho mais um transtorno mental. Além de Transtorno Esquizoafetivo, eu também fui abençoada com o Transtorno Delirante Erotomaníaco. O que significa que o que eu pensava ser amor verdadeiro, era na verdade uma doença mental remediável. Muitas pessoas poderiam comemorar no meu lugar kkk imagina só apagar um amor com antipsicóticos!
Mas para mim foi o cair de uma ficha bem na moleira! Porque eu já havia recebido um diagnóstico, mas não tinha mudado minha autoimagem por causa disso. Só que agora eu entendi: eu sou uma pessoa com deficiência. Por mais que eu possa parecer, não sou uma pessoa normal, meu cérebro funciona diferente, a tendência é que a energia se distribua mal ao longo da minha massa cinzenta e, aquela energia que eu deveria usar para fazer as tarefas da casa, vão ir para a parte de decifrar barulhos e eu vou ouvir coisas sons que não existem. Ok.
Eu não sei o que vai ser de mim, porque eu sinto muita dificuldade com rotina e suas tarefas monótonas, mas também não tenho facilidade para começar projetos malucos e criativos... Eu me sinto uma pessoa defeituosa, nessa sociedade que valoriza a produtividade eu me sinto não só uma máquina, mas uma máquina quebrada. Ah, se o Chaplin me escuta falando isso! Vai dizer que não sou máquina, que sou um ser humano, e que a gente deveria valorizar o nosso lado humano, sensível, gentil.
Chaplin estava certo, e eu tenho bom coração! Eu venho desenvolvendo minha espiritualidade (com muita cautela, porque para delirar neste tópico é bem fácil), e o que eu descobri é que eu posso me tratar com respeito, sem xingamentos introjetados, e da mesma forma tratar os outros, sempre evitando a violência desnecessária. Meu grande objetivo tem sido agradecer ao universo por ter me dado uma família que me aceita (mesmo que ainda não entenda, nem eu entendo direito ainda, mas já tenho 7 anos de prática lindando com tudo isso), uma casa, a possibilidade de não ter que me sustentar ainda, mesmo tendo 25 anos, por me dar tempo para aprender como organizar uma vida e por me dar uma mente tão capaz, apesar dos desafios que enfrenta.
A gratidão não é questão de fazer justiça com o próprio ânimo, mas de se manter vibrando no amor, porque o amor nos protege e nos nutre, é assim que sinto. Então, embora eu não esteja acompanhando bem as aulas, não devo me crucificar por isso. Eu estou fazendo o meu melhor a cada dia, e não lido apenas com as coisas banais que todos lidam, eu lido com desequilíbrio emocional e com a pressão diária em não me desconectar da realidade compartilhada. Minha vida não dava um filme, dava vários. Na minha cabeça aconteceu tanta coisa que ninguém sabe. Eu sou uma guerreira, e se vocês não viram minhas batalhas, foi porque eu as venci.

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