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A cura me pegou

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Não sei bem se foram os remédios antipsicóticos e antidepressivos que me fizeram feliz, ou se eu de repente percebi como minha vida é fácil e boa, ou talvez um novo amor que acabei me envolvendo... Não sei as reais causas da minha felicidade, mas sinto gratidão todos os dias, além de um senso de que a vida vale a pena de ser vivida. Mas tipo,  ter 5 sentidos de realidade não alucinada e nem nervosa, sabe? Mais os outros sentidos que temos quais sejam o equilíbrio, o senso do próprio corpo, tipo órgãos e tal. Os 32 sentidos humanos (fonte: https://alociencia.com.br/podcast/117-os-32-super-sentidos-do-ser-humano/): 1. Visão das cores 2. Visão das luzes 3. Audição  4. Olfato 5. Salgado 6. Doce 7. Amargo 8. Azedo 9. Umami  10. Pressão 11. Vibração 12. Contato suave 13. Coceira 14. Temperaturas perigosas 15. Substâncias químicas perigosas 16. Danos mecânicos  17. Frio 18. Calor 19. Mapeamento do corpo 20. Rotação da cabeça em 3 dimensões  21. Movimento vertical...

Mudança

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  Depois de 26 anos finalmente conclui a equação: sou um homem transgênero sem disforia de gênero, ou seja, minha mente é masculina, meu cérebro é masculino, mas ele não rejeita meu corpo natural. Agora sinto-me livre para expressar aquilo que sempre foi minha autoimagem. Quase não acreditei quando minha mãe ficou feliz pela minha notícia, enxergando a autodescoberta como um alívio para mim. Meu pai ainda não disse nada a respeito, mas alguns amigos já demonstraram apoio e respeito à minha identidade. Não tenho nem palavras para descrever o meu sentimento de paz e serenidade. Parece que nada aconteceu, porque nada de ruim aconteceu. Eu descobri que meus medos de me expressar já não me protegiam de nada, que a minha depressão profunda pode ter bebido deles, e que hoje eu não os carrego mais sobre os ombros. Como uma mudança tão drástica quanto o gênero pode não sacudir o meu mundo? Está certo que tenho uma família amorosa e meus amigos são quase todos LGBTQIA+... Espero para ver o q...

Minha Falsidade

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 Sinto que sempre vesti estereótipos, pois me deixavam mais confortável na hora de tomar decisões, "o que este personagem faria?". Uma vez tentei me despir dos personagens, acabei me despindo também de mim (joguei a água da banheira fora com o bebê junto) e eu aí não era nada - pelo menos assim me sentia. Uma das minhas versões mais ovacionadas é a mulher fatal, ela é notada onde quer que vá e alguns senhores a auxiliam a passar por portas, segurando para que ela passe. Ela atravessa a rua facilmente, carros param para ela e caminhões parados buzinam na sua presença desfilante. Ela é um reflexo da minha carência infantil. Não é a expressão do que há de melhor em mim, apesar de ser superficialmente bela, ela é tóxica, sempre esperando receber o melhor tratamento, se comparando e se julgando mais capaz do que os mais feios. Superficialidade. Eu temo ser meu eu verdadeiro uma pessoa andrógina, alguém que eu não acharia atraente, talvez... Sei lá. Quando pinto meus cabelos de cor...

2 Possibilidades

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 Hoje acordei envergonhada, porque ontem postei um vídeo meu cantando em várias redes sociais. Eu não sou cantora, mas me achei tão bonita e minha voz permaneceu afinada (ainda que não no centro da nota em 100% do tempo) o vídeo inteiro, era uma música da Billie Eilish, bem sentimentalista, junto com um estranho de algum outro país com quem duetei no tiktok. Muito divertido esse app para passar o tempo sem ficar parado, porque tem desafios de dancinhas, de canto, dá para falar suas verdades para o mundo, encontrar sua tribo! Enfim, eu percebi que não tenho porque me envergonhar, eu postei um vídeo meu que eu não conseguia parar de reassistir durante horas porque ali havia uma beleza que contemplava não só meu corpo e minha vaidade, mas também minha alma e minha arte. Então por que a vergonha? Eu acho que esse sentimento vem (e aqui vacilo a respeito de assumir e escrever sobre isso) da crença de que meu ex psicólogo (que eu acho que me ama, porque eu tenho transtorno delirante erot...

Minha vida é um pesadelo

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Quando acordo, eu percebo: voltei para o delírio. É como um sonho recorrente, daqueles que tentam de lembrar de fazer alguma coisa importante, só que esta fantasia criada pela minha mente não é lembrete de nada. A não ser o lembrete de que eu sempre fui louca. Quando as pessoas me olhavam com aquela expressão de estranhamento enquanto eu me encolhia em um canto tentando disfarçar minhas alucinações com silêncio, todas já sabiam. Agora eu entendo, eu que sempre fui diferente, finalmente descobri o motivo. Achei que eu ia me sentir melhor... Mas, acho que o que me falta é acertar a dose do remédio e pronto, tudo vai mudar e eu vou ser produtiva e alegre. Eu me lembro muito bem dos remédios fazendo efeito no meu organismo, e é isso que desejo do fundo do meu coração neste momento. Eu acho que desenvolvi estas doenças porque passava muito tempo sozinha e não tinha com quem desabafar em casa quando era criança. Eu lembro que meus pais se separaram e eu tive que ser forte, porque minha mãe e...

Esqueci da faculdade

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Hoje é Páscoa e, há dois dias eu descobri que tenho mais um transtorno mental. Além de Transtorno Esquizoafetivo, eu também fui abençoada com o Transtorno Delirante Erotomaníaco. O que significa que o que eu pensava ser amor verdadeiro, era na verdade uma doença mental remediável. Muitas pessoas poderiam comemorar no meu lugar kkk imagina só apagar um amor com antipsicóticos! Mas para mim foi o cair de uma ficha bem na moleira! Porque eu já havia recebido um diagnóstico, mas não tinha mudado minha autoimagem por causa disso. Só que agora eu entendi: eu sou uma pessoa com deficiência. Por mais que eu possa parecer, não sou uma pessoa normal, meu cérebro funciona diferente, a tendência é que a energia se distribua mal ao longo da minha massa cinzenta e, aquela energia que eu deveria usar para fazer as tarefas da casa, vão ir para a parte de decifrar barulhos e eu vou ouvir coisas sons que não existem. Ok. Eu não sei o que vai ser de mim, porque eu sinto muita dificuldade com rotina e...