Minha Falsidade


 Sinto que sempre vesti estereótipos, pois me deixavam mais confortável na hora de tomar decisões, "o que este personagem faria?". Uma vez tentei me despir dos personagens, acabei me despindo também de mim (joguei a água da banheira fora com o bebê junto) e eu aí não era nada - pelo menos assim me sentia.

Uma das minhas versões mais ovacionadas é a mulher fatal, ela é notada onde quer que vá e alguns senhores a auxiliam a passar por portas, segurando para que ela passe. Ela atravessa a rua facilmente, carros param para ela e caminhões parados buzinam na sua presença desfilante. Ela é um reflexo da minha carência infantil. Não é a expressão do que há de melhor em mim, apesar de ser superficialmente bela, ela é tóxica, sempre esperando receber o melhor tratamento, se comparando e se julgando mais capaz do que os mais feios. Superficialidade.



Eu temo ser meu eu verdadeiro uma pessoa andrógina, alguém que eu não acharia atraente, talvez... Sei lá. Quando pinto meus cabelos de cores fantasia ando na rua chamando atenção também, mas dessa vez de crianças e crianças interiores, sinto-me um ser mítico levitando pelas ruas. 

Então já sabemos que eu gosto de atenção. Não quero ser discreta, mas geralmente para uma mulher ficar com aura andrógina se abstém de cores e dos sorrisos (este estereótipo buscado na internet não se encaixa no que eu sou, seria mais fácil se eu me sentisse livre para me criar). 

 Talvez eu só devesse relaxar um pouco e premeditar menos...

 Mas a verdade é que se paga um preço por não se expressar autenticamente: as oportunidades que surgem ou não combinam com o personagem, ou não combinam com a pessoa que este sufoca.

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